serrote 32

serrote 32

A serrote 32 apresenta um ensaio da americana Toni Morrison, ganhadora do Nobel de Literatura. Em “Racismo e fascismo”, Morrison alerta sobre o avanço do ódio e do autoritarismo na vida política de um país.

Também nesta edição, Paul B. Preciado e Virginie Despentes discutem o legado de Simone de Beauvoir. Adrienne Rich examina sua relação com a maternidade. Daniel Galera reflete sobre os desafios de um escritor diante das catástrofes climáticas. Camila von Holdefer analisa uma galeria de personagens femininas da literatura.

E ainda: um poema-ensaio de Marília Garcia; uma defesa do radicalismo iluminista por Marina Garcés; uma viagem pelas mesas dos escritores com Juan Villoro; e muito mais.

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“A genialidade do fascismo”, escreve Toni Morrison no ensaio que abre esta edição, “está no fato de que qualquer estrutura política pode hospedar o vírus, e praticamente qualquer país desenvolvido oferece um caldo de cultura adequado.”

A advertência da escritora americana, feita em 1995 a uma plateia de estudantes e professores, iria ganhar desconfortável atualidade em seu país com o governo de Donald Trump. E também no nosso depois do resultado das últimas eleições.

A serrote traz de volta as sensatas palavras de Morrison porque se faz necessário, agora como nunca, ressaltar a importância de valores que até então eram dados como inatacáveis.

É preciso lembrar, com Marina Garcés, que a razão é emancipadora e um dos fundamentos da liberdade. Que o feminismo é obra inacabada e permanente, desde a militância histórica de Adrienne Rich até a ficção de mulheres duplicadas flagrada por Camila von Holdefer. Ou ainda que o realismo, como argumenta Daniel Galera, parece insuficiente para retratar a realidade quando a literatura se confronta com tragédias ambientais em Fukushima, Mariana ou Brumadinho.

Engajar-se é também, ou sobretudo, engajar a imaginação em tempo integral, como o faz Juan Villoro, diante da típica mesa de trabalho do escritor, ou Marília Garcia, costurando memória, prosa, poesia e ensaio no indefinível “Expedição nebulosa”.

Aos que confundem mobilização com alarme ou precipitação, é preciso, uma vez mais, ouvir Toni Morrison: “Não nos esqueçamos de que, antes de haver uma solução final, deve haver uma primeira solução, uma segunda, até mesmo uma terceira”. (Paulo Roberto Pires)

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POLÍTICA
Toni Morrison / Henry Taylor
Racismo e fascismo
Não nos esqueçamos de que, antes de haver uma solução final, deve haver uma primeira solução, uma segunda, até mesmo uma terceira. O movimento rumo à solução final não é um salto. Exige um passo inicial, seguido de outro, e outro mais.

GÊNERO
Paul B. Preciado / Virginie Despentes / Alberto Giacometti
Beauvoir vista por
Nos 70 anos da primeira edição de O segundo sexo, duas das vozes mais originais e radicais do debate sobre gênero, Paul B. Preciado e Virginie Despentes, comentam com irreverência e inventividade o legado intelectual e político de Simone de Beauvoir

FEMINISMO
Adrienne Rich / Tatiana Blass
Raiva e ternura
Apesar de não mencionada nas histórias de conquista e servidão, a maternidade tem um passado e uma ideologia, é mais fundamental que o tribalismo ou o nacionalismo

ENSAIO PESSOAL
Gabriela Wiener / Antonio Seguí
Três
Talvez existam no mundo mais trios do que pares, embora na maioria dos casos um dos envolvidos não saiba

CRÍTICA
Camila von Holdefer / Rachel Levit
Mulheres duplicadas
A questão do duplo é recorrente em autoras que atacam o mito de um eu único como forma de pôr fim à subserviência que as molda e limita

LITERATURA
Noemi Jaffe
Rosa, substantivo, substância
Na prosa de João Guimarães Rosa, as palavras têm um valor espacial próprio da poesia e o sertão não é simplesmente um lugar, mas uma época

ENSAIO VISUAL
Fabrício Corsaletti
Objetos literários, modos de usar

ARTE
Matías Serra Bradford
Cinco pintores leitores
Cercados por livros e imersos em citações, artistas formam uma linhagem idiossincrática que se define pelo gesto entre o traço e a caligrafia

ENSAIO
Juan Villoro / Saul Steinberg
Viagem em torno de uma mesa de trabalho
A criação literária nega qualquer magia: nasce entre papéis desarrumados, notas e recibos esquecidos, anotações que já não significam nada e remédios para males do passado

POESIA
Marília Garcia
Expedição nebulosa
Em 9 atos + 1 diálogo

FILOSOFIA
Marina Garcés / Anish Kapoor
Por um radicalismo iluminista
No mundo que confunde informação e conhecimento, é preciso retomar a crítica como combate à credulidade generalizada e à cultura como sistema de sujeição política

SOCIEDADE
Daniel Galera
Ondas catastróficas
Onipresentes, as imagens de Fukushima, Mariana ou Brumadinho nos fazem ver até o que não gostaríamos e põem em xeque o lugar do romance realista nos dias de hoje

Uma resposta para serrote 32

  1. Carmen Pacheco Veiga disse:

    Tenho dificuldades de encontrar as datas de cada revista ou dos ensaios ao acessá-los pela internet…onde posso encontrar as datas de publicações?

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