serrote 38

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Na serrote 38, Bruno Paes Manso analisa a influência da lógica miliciana no governo Bolsonaro, Ynaê Lopes dos Santos mostra como o tráfico de escravizados moldou a sociedade brasileira, e Ilana Feldman registra o cotidiano de uma Brasília sitiada pela pandemia, pelo fundamentalismo religioso e pela brutalidade política.

E mais: Evandro Cruz Silva busca uma definição de “genocídio”; Stephanie Borges narra um percurso de libertação que passa pela poesia, pelo feminismo negro e pelos cuidados com o cabelo; Coco Fusco discute a decolonização dos museus; Rafael Cardoso resgata o que foi deixado de fora do cânone modernista; Otavio Leonidio investiga a “cidade sem forma” e Eloar Guazzeli apresenta sua cidade imaginária.

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CARTA DO EDITOR

Há mais de 30 anos Eloar Guazzelli vem desenhando uma cidade que existe entre sua imaginação e folhas de A4 – emendadas, elas já passam de 30 metros.  É em torno de uma amostra dessa “Cidade nanquim” que a serrote explora a complexidade de cidades bem reais em tempos turbulentos.

Centro do poder, Brasília é o ponto de vista de Ilana Feldman para um retrato inquietante da vida sitiada, até nos sonhos, pela extrema direita e pela pandemia que já matou mais de 500 mil brasileiros.

Bruno Paes Manso vai à Zona Oeste do Rio de Janeiro para entender, na organização do crime local, a inspiração miliciana de uma nada fantasiosa República Federativa de Rio das Pedras.

No início do século 20, a então capital federal produziu coisa bem melhor, uma sofisticada cultura popular que, sublinha Rafael Cardoso, é inseparável do legado elitista do modernismo.

Foi ainda em terras cariocas que desembarcou parte significativa dos 4,8 milhões de escravizados sequestrados pelo tráfico transatlântico. A longa e brutal vigência do comércio humano está, para Ynaê Lopes dos Santos, na raiz de nosso racismo, e é nos laços de resistência a essa barbárie que se abrem novas possibilidades de liberdade.

É, finalmente, na cidade, em qualquer cidade, que segundo Otavio Leonidio està a possibilidade de se enfrentar, para valer, o controle e os abusos do Estado. (PAULO ROBERTO PIRES)

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SUMÁRIO

RACISMO
Ynaê Lopes dos Santos / Arjan Martins
Um pouco de navio negreiro
Maioria entre os mortos na pandemia, a população negra brasileira encontra no tráfico de escravizados as raízes da exclusão, e nos laços históricos de resistência a essa barbárie, uma outra visão de liberdade

IDENTIDADE
Stephanie Borges / Sheyla Ayo
As raízes e a cabeça
Os cabelos foram o ponto de partida de um percurso de descolonização que passa pela tradução e chega à poesia

ALFABETO SERROTE
Evandro Cruz Silva
G de genocídio

POLÍTICA
Bruno Paes Manso / Camila Soato
República Federativa de Rio das Pedras
O milicianismo, modelo de crime organizado forjado no Rio de Janeiro, é o fundamento político da extrema direita eleita em 2018

ENSAIO PESSOAL
Ilana Feldman
Não ver
Real e sonhado enfrentam-se na construção de uma memória da pandemia, desde sempre ameaçada por negligência, recalque, esquecimento voluntário ou pelas tantas formas com que o Brasil anistia seu passado

ENSAIO VISUAL
Eloar Guazzelli
Cidade nanquim

URBANISMO
Otavio Leonidio / Ricardo Basbaum
Reivindicar a cidade sem forma
As ocupações físicas e discursivas do espaço público são horizonte de liberdade e enfrentamento ao controle do Estado

CULTURA
Rafael Cardoso
Modernidades ambíguas, modernismos alternativos

Às vésperas do centenário da Semana de 1922, o cânone modernista segue tributário de uma narrativa em que as culturas populares e de massa são ignoradas em favor das esferas elitistas de literatura, arquitetura, arte e música eruditas

DECOLONIZAÇÃO
Coco Fusco
Desmembrando o império
Curadores e artistas mostram por que já passou da hora de museus enfrentarem a violência do colonialismo incrustada em seus acervos e restituírem artefatos saqueados a seus donos

LITERATURA
Otto Friedrich / Maira Kalman
A generosidade e a inteligência da companheira de Gertrude Stein alimentaram por mais de uma década as ambições de um jovem escritor que não chegaram a se realizar

 

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